Noções de primeiros socorros, de expressões artísticas (como dança e teatro) e detalhes do cotidiano das grandes cidades, como degradação ambiental e violência urbana. Essas são algumas das novidades que serão abordadas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano. Os alunos não poderão se surpreender se alguma questão exigir o melhor procedimento de ajuda imediata para quem tem um mal súbito na rua, por exemplo.
Os assuntos reforçam ainda mais o caráter interdisciplinar da prova, conhecida por cobrar dos estudantes a maneira de como usar o conhecimento adquirido no colégio do que propriamente memorização de conteúdos. Isso significa mais estudo e exigência de tempo de preparação dos estudantes.
Os cursinhos não farão grandes modificações em seu programa por conta dessas novidades. O coordenador do Projeto Universidade para Todos, José Vasconcelos, avalia que a tendência é organizarem, durante os aulões, palestras específicas sobre os novos conteúdos.
"Há uma exigência no programa sobre cultura africana, algo que é pouco estudado num programa convencional. Mas podemos organizar aulas para ampliar isso. Além da questão histórica desse assunto, podemos abordar a questão da atuação e conscientização do movimento negro nos dias de hoje."
Já na escola Leonardo Da Vinci, não haverá necessidade de palestras extras. O diretor José Antônio Pignaton diz que os estudantes já recebem, normalmente, conteúdo de cultura e arte (com aulas de teatro e música) no programa normal do colégio. "Vamos elaborar um texto específicos desses novos assuntos do Enem. Essa prova exige mais da interpretação do aluno. Assim, ele deve ter hábito de leitura. Quem não lê, não faz um bom Enem", afirma.
Preocupação com quantidade de questões
Os alunos que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano estão mais preocupados com o provável aumento do número de questões do que com o novo conteúdo. "O problema é que já estamos no meio do ano, e a prova é em outubro", aponta o estudante Arthur de Freitas, 18 anos, que fará vestibular para História. Já Marcelly Lins, 17, está ansiosa com o fato de os pontos do Enem serem utilizados por alunos de outros Estados na Ufes. "A gente tem que estudar muito", destaca.
Dois alunos, duas histórias e um só objetivo: passar no vestibular
Luciana Gasparini, 16 anos, está no último ano do ensino médio de uma escola particular e estuda cerca de dez horas por dia. Vinícius Goring Gonzalez, 20, formou-se há quatro anos em uma escola pública do município de São Roque do Canaã, onde morava. São pessoas diferentes, mas com o mesmo objetivo: passar no vestibular.
A partir de agora, A GAZETA vai acompanhar a trajetória desses dois estudantes em direção ao ensino superior. Eles poderão contar um pouco da estratégia de estudo, das dificuldades diárias e das dúvidas que surgem a cada dia por meio do Blog do Vestibular, no portal Gazeta On Line.
Esse também é um espaço para outros estudantes trocarem experiências. Luciana, por exemplo, assiste às aulas no período da manhã e estuda cerca de cinco horas por dia, em casa, de segunda a sexta. A estudante sempre escolhe um dia do final de semana para revisar a matéria: são mais quatro horas de intimidade com os livros.
"Quando não consigo visualizar o assunto apenas lendo, pesquiso o tema na internet. Também procuro fazer cursos extras, como aulas apenas para as discursivas", diz.
Do campo à universidade
Vinícius não tem uma rotina muito diferente. Ele frequenta o pré-vestibular Projeto Universidade Para Todos (PUPT), além, é claro, de estudar muito em casa.
O primeiro desafio, a escolha do curso, ele já venceu. "No meio rural, a tendência é trabalhar, continuar a profissão do pai. O meu é agricultor, e cheguei a fazer curso técnico numa escola agrícola, mas vi que não tinha vocação", diz. Com a ajuda de testes vocacionais e muitas pesquisas, ele optou pelo curso de Fisioterapia. Agora, está otimista em relação ao vestibular. "Confio em mim e acredito em Deus", diz. (Carla Nascimento)
Tire suas dúvidas sobre o exame
Você tem dúvidas sobre o novo Enem? Acesse o portal Gazeta On Line, por meio do endereço www.gazetaonline.com.br, e faça sua pergunta. A GAZETA publicará as respostas no próximo final de semana.
Neste mês, a Ufes anunciou que vai usar a nota objetiva do exame em substituição à primeira etapa do vestibular deste ano. A segunda fase permanece com duas discursivas e uma redação.
De acordo com o último levantamento do Ministério da Educação (MEC), 35 das 55 universidades federais vão utilizar o Enem no vestibular deste ano. Pelo menos 24 delas vão usar o exame em substituição total ao processo seletivo ou como primeira fase de seleção.
A proposta inicial é que o exame seja dividido em quatro áreas - linguagens (incluindo redação); ciências humanas; ciências da natureza e matemáticas - e tenha 200 questões; 50, para cada área.
As inscrições para o exame vão acontecer entre os dias 15 de junho e 17 de julho. A prova deve ser aplicada nos dias 3 e 4 de outubro. O resultado final, incluindo a nota de redação, deve ser divulgado no dia de 8 de janeiro de 2010.
Conheça a Luciana
Nome: Luciana Gasparini
Idade: 16 anos
Estuda: 3º ano do ensino médio do Darwin, de Jardim da Penha
Curso escolhido: Medicina
Histórico: Medicina surgiu naturalmente na vida de Luciana: ela garante que escolheu o curso no início da adolescência. Por ser uma área concorrida, passou a levar os estudos mais a sério a partir da sétima série do ensino fundamental. No 1º ano do ensino médio, a jovem já estudava de duas a três horas por dia, fora da escola. No ano passado, a rotina ficou ainda mais puxada
Estratégia: "No caso das matérias que tenho mais dificuldade, Português e Biologia, leio minhas anotações no caderno, com tudo o que o professor passou; reescrevo tudo; leio a apostila e livros. Já para as matérias que tenho mais facilidade, como Matemática, dou uma olhada no caderno, se for necessário, leio a apostila e faço muitos exercícios. Também leio revistas e jornais. Confesso que não assisto muita TV, até porque durmo cedo, no máximo às 22 horas"
Segredo de vestibulanda: Ninguém ensinou, mas Luciana desenvolveu um truque para melhorar seu desempenho na escola e ainda relaxar: ela está sempre lendo um livro que não tem relação direta com o conteúdo do vestibular. "A leitura melhora a interpretação de textos, aumenta o vocabulário e também distrai a cabeça". Ela mal acabou de ler "Crepúsculo", de Stephenie Meyer, e já está começando "Comer, rezar, amar", de , Elizabeth Gilbert.
Conheça o Vinícius
Nome: Vinícius Goring Gonzalez
Idade: 20 anos
Onde estuda: no pré-vestibular Projeto Universidade Para Todos
Curso escolhido: Fisioterapia
Histórico: Vinícius fez o ensino fundamental e o médio em escola pública, no interior do Estado: primeiro em São Roque do Canaã, depois em Santa Teresa, a 17 quilômetros da sua casa. Quando terminou o ensino médio, tentou vestibular para Medicina Veterinária, escolha natural de quem mora na zona rural. Mas nem foi buscar o resultado. Fez curso técnico em uma escola agrícola, chegou a começar o curso de Sistemas de Informação em uma faculdade particular até optar por Fisioterapia. Ele almoça todos os dias no Restaurante Universitário da Ufes e depois vai para as aulas
Estratégia: Estudar de segunda a segunda. A rotina de estudos de Vinícius, assim como sua trajetória até aqui, é de tirar o fôlego. São seis horas por dia grudado nos livros em casa, além das aulas. No sábado ele passa de oito horas estudando e, no domingo, estuda a tarde toda
Segredo de vestibulando: Para Vinícius, oo segredo para manter o ritmo é praticar exercícios todos os dias. Geralmente, ele acorda às 6h para estudar e faz uma pausa por volta das 10h, para andar de bicicleta. Ele também procura ir à praia, sempre que possível. Mas evita sair à noite (Marcelo Pereira gazetaonline.globo.com)
Domingo, Maio 24, 2009
Até noções de primeiros socorros vão cair na prova do Enem
Postado por
Joel
às
6:54 AM
Marcadores: prova do Enem
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