Domingo, Setembro 20, 2009

Os profissionais mais bem pagos no Espírito Santo

Com a retomada da economia, o índice de emprego com carteira assinada voltou a registrar saldo positivo no mês de agosto. Mas como ficaram os salários dos profissionais após o período de crise?

De acordo pesquisa realizada pela Catho Online no Estado em junho, os melhores salários pagos a diretores e gerentes estão concentrados na área de telecomunicações. Um diretor de transmissão, por exemplo, pode receber um salário mensal de R$ 18.985. Nesse mesmo nível hierárquio, a pior remuneração é de diretor na área de publicidade e propaganda, R$ 5.573.

Já em níveis operacionais, o melhor salário é pago na área industrial, R$ 1.674,64, enquanto o pior vai para o profissional que trabalha em restaurante, é de R$ 490,00.

Ana Heloisa Camarani, da Estatística da Pesquisa Salarial e de Benefícios da Catho Online, explicou que o estudo é desenvolvido três vezes por ano, nos meses de fevereiro, junho e outubro. A pesquisa contém dados salariais e de benefícios de 21 regiões geográficas em todo o país. Cada edição contempla mais de 1.600 cargos tabulados, 201 áreas específicas e 48 ramos de atividade econômica.

"É a única pesquisa respondida pelos empregados, não pelos empregadores. A última edição da Pesquisa Salarial contou com mais de 177 mil respondentes", disse Ana Holoisa. Segundo ela, o Espírito Santo, assim como o resto do Brasil (-6,5%), apresentou uma queda salarial de 8,6%, se comparados os salários de junho de 2008 com junho de 2009. Ela lembra que índice negativo foi motivado pela crise financeira.

O diretor de Operações da Human Brasil, Fernando Montero da Costa, ressaltou que as áreas mais promissoras na Região Sudeste, com exceção de São Paulo, estão os setores de serviços, como informática e logística. "Os profissinais mais bem remunerados são aqueles que atuam na área de informática, principalmente aqueles que têm nível superior", avaliou.

Costa destaca também que a construção civil. "Com a retomada de investimento em infraestrutura, o engenheiro civil, com características projetistas, serão muito mais valorizados. Um especialista em drenagem, por exemplo, pode ter remuneração de R$ 14 mil", destacou.

O consultor em Recursos Humanos Elcio Teixeira acredita que, no atual cenário, as profissões mais requisitadas estão as carreiras na área de Tecnologia da informação e Engenharias.

A supervisora geral das lojas Zu, Vanessa Tranhagno, 27 anos, conseguiu crescer no setor de vendas. Ela, que sempre gostou de moda, fez diversos cursos para se atualizar.

"Estou há cinco anos na Zu. Comecei como vendedora, e fui demonstrando o que queria e, com isso, galguei meu crescimento. Quando se é correto e qualificado, as coisas acontecem. A empresa valoriza seus funcionários e eu soube aproveitar todas as oportunidades", disse.

Política de Recompensa 
Martha Zouain , Psicóloga e diretora da Psico Store

Um dos grandes desafios que as empresas têm hoje é manter-se atraente para seus funcionários, e nesse aspecto a questão salarial nunca esteve tão em foco. É grande a movimentação de profissionais da área de recursos humanos para estabelecer políticas justas de recompensas. Um dos modelos que vem sendo mais trabalhado é a remuneração por competências e habilidades, por gerar resultados que impactam significativamente para a redução significativa do número de cargos; redução da folha nominal salarial em médio prazo; administração das competências; diferenciação salarial dos ocupantes no mesmo cargo. Nesse caso, salário passa a ser uma conquista, fruto de analises de performance de cada funcionário. Como consequência, consegue-se estabelecer profissionais que dão uma entrega maior recebendo mais. Em contrapartida, entregas reduzidas de resultados por parte do profissional limitam seu crescimento.

Valorização depende de você 
A valorização profissional está inteiramente ligada a uma melhor remuneração. Segundo o consultor de Recursos Humanos Elcio Teixeira é fundamental que o profissional planeje e tenha foco na sua carreira.

Ele ressalta que existem fatores que são determinantes no sucesso como: atitudes comportamentais que demonstrem pro-atividade, empreendedorismo, foco em soluções, trabalho em equipe, liderança, criatividade e dentro da formação técnica, independente da área de formação.

"Deve-se investir em idiomas, sobretudo Inglês que praticamente é obrigatório para as carreiras de sucesso. Vivência internacional e participação em programas de intercâmbio também pontuam muito e tem fator de peso, pois dentre outras coisas trabalham a habilidade de conviver com diversidade, que é um enorme diferencial", afirma.

Já o escritor Roberto Shinyashiki destaca que a valorização profissional não nasce pronta. "Você tem que conquistar. Ou melhor, você tem que construir. Campeões não nascem sabendo. E não são feitos da noite para o dia. Existe um longo caminho a percorrer até alcançar as vitórias e nem sempre o percurso é fácil", avaliou.

Shinyashiki ressalta que a valorização é construída com suor, muito estudo, planejamento e estratégia. Ele ressalta ainda que a dedicação cria concentração, autoconfiança, disciplina, determinação, tranquilidade - os verdadeiros alimentos dos campeões.

"A imersão no trabalho proporciona uma segurança que vai diferenciar você dos outros. É como fazer um curso intensivo de inglês em Londres, quando a maioria das pessoas faz duas aulas por semana no Brasil, raramente com mais de uma hora por aula. É impossível comparar os resultados", avalia.

Curso superior é o primeiro passo para a escalada do salário
Diná Sanchotene 


Um profissional de nível superior pode ganhar bem mais do que o dobro do que um trabalhador de nível técnico. Prova disso é a remuneração de R$ 4.685 paga aos engenheiros civis da construção civil no Espírito Santo. Os profissionais técnicos em edificações, do mesmo setor, recebem cerca de R$ 1.796,00.

A Catho Online apontou na pesquisa salarial que o profissional especializado que não fez ou não concluiu curso superior recebe salário inferior a R$ 5 mil. Já a remuneração para aqueles da mesma função, que já fizeram mestradou ou doutorado, pode ser um pouco menor do que R$ 10 mil.

O diretor de Operações da Human Brasil, Fernando Montero da Costa, diz que ter nível superior ajuda a melhorar a remuneração. "Estamos saindo de uma crise, e novos desafios vão aparecer. Por isso, o mercado está muito bom para os especialistas. É preciso ter foco na especialização; se você disser que conhece tudo pode até ser desclassificado na entrevista de emprego", destacou.

Trabalho e prazer 
Para o escritor Roberto Shinyashiki, é perfeitamente possível ganhar muito dinheiro, fazendo aquilo que se gosta. "Aliás, quando você faz o que gosta, tem muito mais chances de ter sucesso profissional. Inclusive pelo lado financeiro. É claro que você precisa ser também um profissional versátil", comentou.

Ele destacou que quanto mais completo você for como profissional, melhores serão as suas chances de ganhar muito dinheiro com o que faz. "Afinal, o trabalhador que gosta do que faz, mas não sabe vender o seu produto, tem poucas chances de fazer dinheiro com ele. Mas, em contrapartida, aquele que faz tudo o que faz somente pelo dinheiro logo vai descobrir que existe um enorme vazio em sua vida. E isso, mais cedo ou mais tarde, vai minar as bases da sua carreira profissional", avaliou.

A orientação do escritor é fazer sempre o que você gosta e o que lhe dá prazer e realização profissional. "Também se prepare para ser um bom administrador e um bom vendedor daquilo que você produz. Com certeza, essa é a combinação que lhe dará melhores resultados, não só profissionalmente, mas em todos os setores de sua vida", finaliza.

Especialização, MBA e cursos mudam tudo 
O gestor de serviços da Totvs, empresa de desenvolvimento de softwares de gestão, Nilton César Vieira Araújo, começou sua carreira como programador quando ainda morava em Belo Horizonte. De lá pra cá, ele viu seu salário mais do que dobrar. "Me formei em administração, mas sempre gostei de informática. Surgiu a oportunidade de vir trabalhar no Espírito Santo em uma empresa da área de tecnogia e, depois disso, vim para Totvs para atuar como analista de negócios", contou. Araújo está na empresa há cerca de 13 anos. Além da formação superior, ele possui especialização em Desenvolvimento de Softwares e MBA em Gestão de Projetos, cursos realizados durante este período que ajudaram no seu crescimento. "Fiz diversos treinamentos em linguagem de programação, banco de dados e negócios. Tudo valeu muito a pena tanto financeiramente quanto na minha carreira", finalizou.

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Como ganhar mais 
1. Se perguntar constantemente o quanto o seu talento e qualificações pessoais estão sintonizados com o momento do mercado, bem como se as suas habilidades atendem às exigências impostas pela concorrência de uma economia globalizada.

2. Ter uma visão ampla do conceito de competência, que vai muito além de saber fazer bem alguma coisa, mas, contempla a sua capacidade de fazer de maneira a agregar valor econômico à organização/empresa e valor social ao indivíduo e a sociedade como um todo.

3. Gerenciar mudanças que acontecem a sua volta, sejam elas na economia, na concorrência, tecnológicas, sócio-culturais, mudanças provenientes da Globalização, dentre outras.

4. Identifique em você quais as características que o diferenciam dos demais - positiva e negativamente.

5. O mercado fortemente competitivo está em busca de profissionais "antenados" a tudo e a todos, mas, especialmente, a si mesmo.

6. A presença de características negativas em nossa estrutura de personalidade funciona como um sinal de alerta para nossas atitudes.

7. O conhecimento e controle de suas reações e atitudes irá permitir uma sensação de domínio da situação que pode e deve potencializar seus resultados. Você é dono de você mesmo.

8. Tenha claro: A responsabilidade pelo seu auto-desenvolvimento é sua! Quanto mais você investir mais chances terá de retorno do mercado de trabalho.

9. Reavalie constantemente suas competências e invista para desenvolver aquelas que ainda não estejam em níveis adequados em relação ao que o mercado exige.

10. Esteja aberto ao novo. O cenário em constante mudanças exige que o profissional também mude oportunamente em busca de uma performance sempre superior.

Fonte: Martha Zouain, psicóloga 



Autor: Diná Sanchotene 
(A Gazeta)

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